Histórias dos Moradores

João Moreira da Silva

João Moreira da Silva nasceu em 12 de outubro de 1943 na Bahia. Trabalhou na roça com toda sua família. Ele conta que a educação e a criação de antigamente era muito severa. Em maio de 1961, João veio para São Paulo em busca de ajudar sua família que estava no interior da Bahia.

Chegando em São Paulo tudo era diferente e interessante para ele que era um jovem imaturo e sem experiência. Tudo era novo, pois criado no interior só conhecia sua família e mais ninguém.

Onde ele morava era muito afastado da cidade. Na capital ele conheceu muitas pessoas novas, fez muitos amigos e acabou se apaixonando pela Beatriz Maria e aos 19 anos casaram e tiveram um filho, João Vitor. Na época, ele estava sem emprego e morava de aluguel no centro de São Paulo.

Não demorou muito tempo e João conseguiu arrumar um bico de pintor com seu amigo. Num sábado Manoel o convidou para pescar em um certo lugar chamado Procap que hoje chama Santa Cruz, um lugar lindo cheio de natureza. Ele achou esse lugar muito parecido com sua terra natal.

Em 1973, seu João conseguiu passar num concurso para trabalhar na prefeitura de São Bernardo do Campo. Hoje ele é aposentado. Então juntou o útil ao agradável e resolveu se mudar para cá (Santa Cruz).

Antes aqui só tinha um barzinho e uma mercearia onde ele comprava seus mantimentos. Quando ele passou a morar aqui a prefeitura deu a ordem de fazer as ruas e as redes de esgotos, pois só tinham algumas.

Hoje, de todas elas, seu João ajudou a fazer quase todas. Com o passar do tempo foram surgindo uma casa aqui, outra lá e hoje existem várias.

História contada pela aluna Ilda Roberta Resende


 

Balbina Guilger

Balbina Guilger nasceu em São Bernardo e tem 53 anos. Quando ela nasceu, seu pai morava aqui no pós-balsa, na estrada Rio Acima numa chácara vizinha do Sítio Cinderela.

Aos sete anos, foi estudar na EMEB Omar Donato Bassani e ficou lá até a terceira série. Foi quando sua mãe faleceu e ela teve que sair da escola para cuidar dos meus irmãos porque seu pai trabalhava e ela era a filha mais velha.

Balbina passou toda a minha infância com essa responsabilidade de dona de casa. Com 18 anos começou namorar, logo se casou e mudou-se para o bairro Taquacetuba onde lá teve seus quatro filhos.

Naquela época o bairro aqui não tinha ônibus, posto de saúde e nem mercado. A escola era de madeira e ficava num terreno doado pelo senhor José Ibiapino Franklin na estrada do Rio Acima. Isso foi na época que a prefeitura estava fazendo um loteamento no bairro Santa Cruz que antes se chamava Procap. Esse terreno onde hoje é a escola (EMEB José Ibiapino Franklin) seria um campo de futebol, mas resolveram construir a escola e homenageá-la com o nome de seu doador.

Ela conta que se hoje aqui existem algumas dificuldades, imagine como aqui era há 40 anos. Para termos idéia, Para ir a escola ou para o centro de São Bernardo, ela tinha que ir a pé ou pegar carona. Depois de um tempo começou a vir ônibus direto de São Bernardo para cá três vezes ao dia e foi construída uma UBS. Em vista do que era hoje aqui está bem melhor.

Balbina espera que daqui 20 anos o bairro melhore muito mais. Ela fala isso porque viu o crescimento daqui. Ela agradece a Deus por morar num lugar onde seus filhos cresceram sem lhe dar problemas e ressalta que se ela morasse no centro da cidade eles não seriam tão responsáveis como eles são. Assim é sua história.

História contada pela aluna Marizete Santos de Carvalho


 

Olídia Bonifácio

Olídia nasceu no dia 13/08/1942 no interior de São Carlos, estado de São Paulo. Ela conta que sua infância foi muito boa. Ela foi criada na roça e lá cuidava das suas sobrinhas.

Casou aos 17 anos com Sebastião Bonifácio e teve nove filhos. Com a família crescendo, veio para São Bernardo do Campo morar no bairro Jardim Santa Terezinha em 1976. Depois veio morar no aqui no bairro Procap (atual Santa Cruz junto com outras 64 famílias que vieram de alguns bairros da cidade. Ela conta que na época tinha que pagar um pequeno aluguel de 70,00 cruzeiros para as benfeitorias chegar até o bairro.

Quando chegou aqui, tudo era muito difícil. Não tinha luz elétrica, água encanada, mercando e nem padaria. Para fazer compras era muito difícil, pois tinha que ir até São Bernardo do Campo é só tinha três horários de ônibus que era 5 da manhã, outro às 11h e as 17h.

Na sua casa tinha uma televisão pequena e uma bateria de carro onde todas as crianças das vizinhas vinham assistir aos domingos Os Trapalhões. Já novela não dava para assistir e nem ao Jornal Nacional, pois a bateria descarregava.

Em 1979 chegou energia elétrica. Foi uma festa em todas as casas. Depois chegou a água encanada, mas ainda faltava um posto de saúde. No local tinha apenas uma sala que vinha um médico uma vez por semana. Quando alguém tinha que ser socorrido só havia um guarda que ficava no local para ajudar a socorrer os moradores e telefonava para a ambulância que vinha do Riacho Grande para socorrer os moradores daqui.

Olídia conta que aos poucos tudo foi melhorando. Os horários dos ônibus foram aumentando, chegaram os médicos, as consultas marcadas, os pequenos comércios e escolas. Hoje o bairro se chama Santa Cruz e muitas pessoas vieram para cá se juntando com aquelas 64 famílias que chegaram no passado. Ela espera ainda muitos outros benefícios para esse bairro onde criou seus filhos.

História contada pelo aluno Silvio Ferreira da Silva


 

Joaquim Santana

O meu nome é Joaquim Santana, tenho 60 anos, nasci na Bahia e moro aqui há 28 anos. Desde pequeno sou analfabeto, pois não estudei porque meu pai morava numa fazenda longe da escola.

Desde criança tinha que trabalhar na lavoura com meus pais. Quando eu tinha doze anos comecei a trabalhar na fazenda do vizinho e ganhava um pequeno salário e pegava experiência no serviço. Trabalhei lá até os dezoito anos e depois comecei a namorar. Logo me casei e construí minha família. A minha esposa teve sete filhos e mudamos para cá (bairro Santa Cruz) morar de aluguel.

Naquele tempo era muito pior, pois não tinha ônibus e nem mercado. A gente comprava alimentos nos pequenos bares que tinha aqui e estudávamos numa pequena escola de madeira.

Depois mudei para o bairro Santa Cruz num terreno doado pelo senhor José Ibiapino. Naquele bairro havia loteamento que hoje seria um campo de futebol, mas acabaram fazendo uma escola onde meus filhos estudaram até a quarta série.

Apesar das dificuldades gosto de morar aqui porque é um lugar tranquilo e me faz lembrar da minha terrinha no interior. Espero que daqui vinte anos esse bairro possa estar melhor. Se eu não estiver vivo até lá para ver essas melhorias, com certeza meus filhos e netos estarão se Deus quiser.

O que espero para o futuro é surjam novas benfeitorias não apenas para aquelas 64 famílias que chegaram no passado, mas para todos já que aqui cresceu bastante. Espero muitos benefícios para esse bairro onde criei meus filhos.

História contada pelo aluno Thiago Lino


 

Cleuza

Cleuza  nasceu  no  interior   de  São  Paulo  e vive  aqui  há  23  anos.  Começou a trabalhar desde criança e teve seu primeiro filho aos 29  anos. Ela  conta  que  hoje  sua  vida  é  boa, mas trabalhou muito para ajudar a  sustentar  sua  família.

Uma   história   engraçada  daqui  que  ela  conta   é  que   quando  os  cavalos   amanheciam  todos  amarrados   e  entrançados,  as  pessoas  diziam   que  era  coisa  do  Saci-Pererê.  

A  maior  dificuldade  que  ela  passou  foi  a  falta   de   emprego  por ter   filhos  todos  pequenos. Não  tinha  com  quem  deixá-los, mas  mesmo   assim   tinha   que  trabalhar  e  seus  próprios   filhos   tomavam   conta   uns dos   outros.

Cleuza conta que antes não existia ônibus aqui no bairro como hoje.   Eles    passavam  poucas vezes,  isso  quando   tinha. Seu desejo é que aqui tenha asfalto, energia  elétrica em todas as  ruas, mais  ônibus  nas  linha  e  água encanada.

Ela gosta  de  morar  aqui  porque  é  sossegado,   tranqüilo  e  tem  ar  puro. Sonha  no  futuro  que  meus  filhos   estudem,  tenha  um  bom  emprego   e  não   passem  pelas  dificuldades  que  ela   passou.

 História contada pela aluna Maria Cícera


 

Dona Severiana

Severina  Pereira  Ferreira nasceu  em Petrolina (Pernambuco) em 1933. Ela tem hoje  76 anos e  casou-se  com  seu José Rilvamar  Ferreira.  Dona Severina, como todos  a chamam, tem 56 anos de casada,  07 filhos, 14 netos  e  muitos  bisnetos.  Chegou  aqui  em  São Paulo  ainda  pequena  e passou  a sua infância em  Presidente  Prudente  onde casou. Chegou  aqui  no Santa Cruz há  mais de 30 anos onde vive até hoje .

Ela fala  que aqui  antes  era   um lugar cheio de mato e tive que  morar em barracos  com tabuas  doadas pela prefeitura.   Na época  em que  veio  para cá  o  bairro Santo cruz  não tinha esse nome e sim cidade  Procap. Dona Severina  acompanhou  o crescimento  do bairro. Aqui  não  tinha escola,  supermercado e muito  menos pronto-socorro. Ela contou  que viveu  muitas  histórias  aqui, umas alegres e outras tristes como a morte  de seus  parentes. 

Uma história que ela gosta de lembrar, era a  época que ela cantava com seus vizinhos e amigos em um bar próximo a sua casa. Ela acha aqui um lugar tranquilo, calmo e cheio de pessoas de pessoas boas. O que dona Severa mais sonha é ver esse lugar onde passou metade da sua vida, criou seu filhos, netos e bisnetos crescer, ter um hospital e uma área de lazer, onde todos os moradores possam se divertir e serem felizes.


 

Dona Raimunda

Meu nome é Raimunda Maria de Jesus vim morar aqui aos 23 anos de idade com a minha tia. Eu morava em Caldeirão Grande (BA) e por causa da dificuldade ser muito grande, mudei-me para cá.

Como toda família pobre, tive uma infância muito sofrida, passei fome e muita dificuldade, porque meus pais eram muito pobres. As dificuldades eram tantas que eu chegava a pensar que era o fim. Aos 20 anos tive um filho, e as coisas pioraram cada vez mais, pois além de mim, agora tinha um filho para criar e a situação não era boa.

Aos 23 anos resolvi me mudar, e vim morar em Taquacetuba. Logo que cheguei aqui tudo era muito estranho. Só tinha mato. Não havia urbanização, povoamento ou condução. Tudo era muito difícil, até para cuidar da saúde era complicado. Então passaram os anos e tive mais dois filhos. As condições ainda não eram boas. Estava eu aqui com três filhos e sem emprego.

Fazia alguns bicos, mas nada dava certo. Então resolvi morar com a minha mãe. Pouco tempo depois achei uma casa para morar, onde trabalhava como caseira. A partir daí as coisas começaram a melhorar.

Depois eu conheci o Belquior, que hoje é o meu esposo. Com muito esforço e muita garra, consegui comprar minha própria chácara. As pessoas começaram a chegar e a povoar a região, formando assim o bairro Taquacetuba.

Hoje me sinto muito realizada e feliz de morar aqui e ver o quanto cresceu e se desenvolveu nossa região. Espero que o bairro cresça e desenvolva cada dia mais, trazendo conforto e bem estar para moramos melhor. Afinal de contas, ao longo destes 30 anos muitas coisas mudaram. Hoje temos ônibus, uma unidade de saúde, supermercado e muito mais.

Estou feliz e agradeço á Deus acima de tudo pelos problemas que me fez resistir e vencer.

Esta é minha história!


 

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