Histórias da Gente


 

Rozilda da Silva

Eu sou Rozilda da Silva, nasci em 16 de setembro de 1964 no estado do Paraná numa cidade chamada São João do Caiua. Sou a quarta filha de nove filhos onde hoje apenas cinco são vivos.

Minha mãe e meu pai são pernambucanos. Ele trabalhava na lavoura e ela era do lar. Morávamos na fazenda e lá meus irmãos estudavam. Viemos para São Paulo quando eu tinha 07 anos. Nessa época moramos num bairro de São Bernardo do Campo chamado Baeta Neves. Lá comecei a estudar, brincava, pulava o murro do Baetão (um ginásio de esporte que tinha no bairro).

Quando eu tinha 09 anos, meu pai foi sorteado com uma casa aqui no bairro Santa Cruz. Naquele tempo, aqui não tinha água encanada e nem luz. O ônibus só passava três vezes ao dia: cedo, meio dia e de noite. A escola era de madeira e ficava bem perto da represa.

Andávamos muito a pé, mesmo com chuva e frio. Era divertido, vínhamos conversando e brincando. Éramos e somos todos amigos até hoje. Como aqui não tinha luz naquele tempo, aos sábados pedíamos para nossos pais autorização para fazermos bailes. Então, íamos todos para a casa de uma amiga, onde limpávamos a casa e arrumávamos um cômodo para nossas festas. Dançávamos até 5 horas da manhã. Tudo era muito divertido e bem organizado.

Na minha adolescência comecei a trabalhar aos 11 anos na casa de dona Maria e do seu marido, José Ibiapino Franklin. Lá, ajudava a filha deles arrumar a casa e depois íamos juntas a escola, que foi doada pelo próprio pai dela. Nessa escola eu fiz do primeiro até a quarta serie. Depois fui estudar no bairro Tatetos na escola Omar Donato Bassani e comecei a trabalhar na Cidade da Criança, que ficava no centro de São Bernardo do Campo. Assim acabei perdendo o interesse pelos estudos.

Comecei a namorar aos 17 anos e casei depois de dois anos. Tive três filhos, vivi oito anos casada, me separei e fui morar com meus pais. Arrumei trabalho no hospital Pereira como copeira, onde fiquei por dois anos. Depois fui trabalhar no hospital Itacolomy e lá fiquei por 17 anos.

Há dez anos, eu comprei a pizzaria do bairro Santa Cruz onde meu filho mais velho tomava conta junto comigo. Ele deixou a pizzaria com o meu filho mais novo quando arrumou um novo emprego.

Mais tarde conheci um novo amor. Começamos a namorar e fomos morar juntos. Desse relacionamento nasceu minha filha caçula e vivemos juntos durante cinco anos. Acabamos separando e hoje vivo com meu filho do meio e minha filha.

Estou estudando e não pretendo não parar. Quero arrumar um novo emprego, viver feliz com minha família arrumar um novo amor.


 

Simone Cristina da Silva

Meu nome é Simone Cristina da Silva, nasci em São Bernardo do Campo em 1972. Minha infância foi muito sofrida, pois meu pai morrera quando eu ainda estava na barriga de minha mãe. Não o conheci (só através de fotos e das histórias que minha mãe contava). Sempre morei em São Paulo.

O tempo foi passando, cresci, casei e fui morar em Mato Grosso com meu esposo. Morei lá durante um ano e as coisas não estavam muito boas para nós em relação ao ganha pão. Voltamos então para São Paulo e continuamos batalhando.

Hoje com dois filhos tudo ficou diferente. A responsabilidade aumentou bastante e voltamos a morar em São Bernardo do Campo. Não acho o lugar tão bom comparando com os que estávamos acostumados a viver. Aqui muita coisa precisa ser transformada, desde asfalto até as moradias, incluindo ações na área da saúde. Mas tenho certeza que vamos conseguir com a ajuda e mobilização de todos os moradores.

Tenho um sonho um dia fazer faculdade de Letras. Só Deus sabe se vou realizar este sonho. Por enquanto estou estudando para chegar até o ensino médio e continuar a batalha de todos os dias. Quero ser feliz e transmitir alegria para outras pessoas, além de aprender coisas novas para ensinar e ajudá-las também.


 

Jonathan Leite

Meu nome é Jonathan nasci no dia 7 de fevereiro de 1994 no hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano Do Sul. Passei a minha infância e um pouco da minha adolescência no Bairro Mauá da mesma cidade.

Sempre gostei desde pequeno de jogar futebol com meu irmão mais velho e amigos. Ás vezes saía com meu avô e ia na pracinha para soltar pipa, pois fui criado por eles até 2004. Gostava também de ir ao Parque Chico Mendes onde fiz amizades.

Aos sete anos entrei para a escola Ângelo Raphael Pellegrino e também para a Paróquia de Santo Antônio, onde eu era coroinha. Com dez anos entrei na banda da própria escola. Lá eu tocava surdo um instrumento parecido com o bumbo com duas baquetas.

Com nove anos passei a fazer parte do coral da escola e fiz apresentações em vários lugares de São Paulo como a Catedral Da Sé, no espetáculo Auto De Natal, com a professora Regina Kinjo. Também participei do Projeto Guri em São Paulo. Lá aprendi a tocar instrumentos e cantar músicas.

Também participava dos jogos escolares de atletismo. Ganhei várias vezes em 2005 no tênis de mesa. Em 2006 também fui vice-campeão de queimada e campeão em 2007. Todos os meus troféus e medalhas estão na antiga escola.

Desde meus 11 anos treino futebol. No começo treinava futsal de sala como ala. O ala atacante só fica no campo adversário para tentar fazer gol. Depois fui para o gol e nele estou até hoje.

Vim morar aqui, por que meu avô faleceu e a casa em São Caetano foi vendida e também por causa do meu padrasto, que trabalha no Rodoanel.


 

Silvania Candido da Silva

Meu nome é Silvania, tenho 17anos e vou falar um pouco minha infância. Eu morava em Alagoas e junto com minha mãe e meu pai. Viemos para São Paulo arrumar uma coisa melhor para todos nós. Mas não foi nada disso que aconteceu. Quando chegamos aqui, fomos morar na cidade de São Bernardo do Campo.

Meus pais se separaram e eu fui morar com minha mãe em Cubatão. O meu irmão foi morar com o meu pai em outro lugar e nunca mais o vi. Também faz bastante tempo que eu não vejo o meu outro irmão, o Luciano. Esse infelizmente não quis vi morar em São Paulo para não deixar meu avô sozinho.

O fato mais marcante da minha vida foi quando a minha querida avó morreu. Quando a minha mãe ficou sabendo que ela estava morrendo, ficou muito triste e rapidamente tratou de vender nosso aparelho de som para voltar para Alagoas. Infelizmente ela não chegou a tempo para vê-la viva.

Espero, quando ficar adulta, que as coisas sejam melhor para toda minha família e que um dia eu possa contar para todas as pessoas minhas histórias com muita alegria.


 

Solange Santana

Meu nome é Solange Santana de Jesus. Nasci na Bahia e sou filha de pais separados. Tinha cinco anos quando minha mãe foi embora e meu pai se casou novamente. Comigo são treze filhos do primeiro casamento. Desde então não vi mais a minha mãe.

Tinha onze anos quando o meu pai veio a falecer. Então eu comecei a trabalhar em casa de família. Não tive infância, pois fiquei grávida muito cedo o que me impediu de desfrutar a minha adolescência. Depois tive a oportunidade de vir para São Paulo onde fiquei na casa de parentes. Infelizmente não pude trazer o meu filho que ficou sob os cuidados do pai.

Trabalhei em diversas casas de família, cuidei de idosos e vendi alimentos no varejo. No momento estou sem emprego. Contudo, aproveito para me dedicar os estudos para que eu venha ter melhores chances no mercado de trabalho. Tive recentemente a felicidade de reencontrar meu filho que está bem.

Meu plano para o futuro seria terminar os meus estudos e fazer um curso de enfermagem porque gostaria de trabalhar com idosos.


 

Ilda Roberta da Silva Resende

Essa sou eu, Ilda Roberta da Silva Resende, nascida em 15 de novembro de 1965, filha de Francisco da Silva e Maria Bittercort da Silva e criada no interior de Minas Gerais.

Tive uma infância ao mesmo tempo alegre e sofrida. Até os meus nove anos de idade minha infância foi maravilhosa, cheia de dengos, amor e fraternidade com a minha família inteira, irmãos, pais e primos compartilhando a lida. Quando eu completei 10 anos de idade foi a fase da minha vida mais difícil, pois perdi meu pai vítima de câncer, deixando sete filhos e uma viúva de coração partido.

No princípio tive que batalhar firme e forte para conseguir criar meus irmãos junto com minha mãe, com um trabalho sofrido e miserável na raça, pois o ganho era mínimo. Lembro como se fosse hoje, numa plena tarde de sábado trabalhando na roça do Geraldo na plantação de feijão.

Conheci um rapaz chamado Camilo, simpático, humilde e honesto. Tudo o que eu precisava para a minha vida. Namoramos dois anos e três meses. Daí tomamos a decisão de tentar obter uma vida melhor e mais remunerável. Estava com 22 anos e ele com 25 quando viemos para São Paulo com uma mão na frente e outra atrás.

No começo foi muito difícil, pois havia deixado a minha casa, meus irmãos e o principal, minha mãe. Alugamos uma casa com apenas um humilde cômodo sem banheiro. Passaram-se três meses, meu marido conquistou um emprego numa das melhores metalúrgicas da região. Depois disso, só foi felicidade, pois descobri que estava grávida e veio ao mundo o bem mais precioso, meu filho.

Hoje moro num lugar lindo que a natureza pode oferecer, tenho a minha casa, o meu trabalho e uma família maravilhosa. Tudo aquilo que pedi a Deus. Às vezes falo isso para mim mesma: nunca desista dos seus ideais, pois é impossível conquistar a vitória se não lutar.


 

Sueli Valadares

Meu nome é Sueli. Eu nasci em São Paulo em 14/04/1991 e sou a filha mais velha de cinco irmãos. Meus pais trabalhavam fora e era eu quem cuidava deles. Meu pai trabalhava de segurança e ficava bastante preocupado com a gente.

Quando eu fui crescendo eu era muito obediente. Ainda hoje o meu pai e minha mãe têm orgulho de mim porque cuidei dos meus irmãos. Quando eu vim para o bairro Santo Cruz, aqui não tinha luz, água e nem telefone. Mas, de uns tempos para cá, as coisas mudaram.

Na minha casa minha mãe me ensinou a cozinhar e aprendi fazer arroz, feijão, carne, macarrão e muitas coisas. Meu irmão Marcos vivia sempre contando para minha mãe as artes que eu aprontava. Os meus pais com o tempo se separaram e eu tive que trabalhar muito para vencer na vida.

A minha adolescência não foi muito boa porque tive que parar de estudar para trabalhar e cuidar dos meus irmãos que eram pequenos e não tinham com quem ficar em casa. Logo a minha irmã ficou doente, meu irmão teve meningite, minha avó morreu e outra irmã saiu de casa por passarmos necessidades. Não tenho boas lembranças desse período. A vida nos proporciona momentos bons e ruins, mas todo mundo tem um momento difícil na vida.

Passando o tempo, aprendi a ser mais madura e me preocupar mais em como fazer a minha própria vida e ter a minha própria família. Algum tempo depois parei, pensei e comecei a namorar sério com o propósito de me casar. Engravidei e fiquei morando com minha família até o meu filho nascer. Assim que ele nasceu, meu marido alugou uma casa para morarmos. Com o tempo as coisas não começaram a dar certo, resolvi me separar e acabei voltando para casa da minha família com meu filho.

Hoje não tenho o que reclamar, vivo feliz, sou independente, tenho meu próprio trabalho e meu dinheiro. Além de estar vivendo muito bem com a minha família que sempre me apoiou nos momentos mais difíceis. Meu filho tem três anos e é a vida que Deus me deu.


 

Maria Cícera

Eu nasci no interior de Alagoas, um lugar muito bonito. A cidade de chama Vila do Socorro. Lá, eu morava com meus pais e meus três irmãos, dois homens e uma mulher. Nós éramos muito felizes, sempre unidos como uma família.

O fato mais marcante foi quando viemos para São Paulo. Foi muito bom ter toda a minha família reunida. Chegando aqui, nós não tínhamos para onde ir. Então o primo da minha mãe arrumou uma casa para passarmos uns dias e ficamos nela por três meses. Meu avô ligou de Alagoas para minha mãe pedindo para mandar eu e meu irmão para lá para ajudar nos afazeres de casa porque a minha tia iria se casar.

Quando fui para lá, fiquei bastante tempo na casa do meu avô. Depois minha avó adoeceu e minha mãe não tinha dinheiro para velá-la. Precisou vender o aparelho de som para ir até lá. Chegando lá, ela ficou muito triste, pois ficou muito tempo sem vê-la e não tinha mais como abraçá-la e nem beijá-la. Lá fiquei sabendo que meus pais tinham se separado, mas eu não quis acreditar.

Voltando para São Paulo, a minha mãe arrumou um emprego. Eu também queria trabalhar, mas ela não queria deixar, pois dizia que eu preciso estudar, aproveitar a oportunidade que ela não teve, pois trabalhava desde pequena na roça e não tinha tempo para ir a escola. Ela sempre me incentiva a estudar, fazer uma faculdade e arrumar um bom emprego. Imagino na minha vida adulta ter o meu próprio negócio ou trabalhar como veterinária.


 

Vanessa de Oliveira Santos

Eu sou Vanessa, nasci em Osasco, em 1983. Hoje tenho 26 anos e mais três irmãos: um mais velho que tem 30 anos, a outra tem 27 e o outro de 23 anos.

A minha infância foi dentro de um parque de diversões. Eu também ia muito para o supermercado para olhar carros também fazer favor para uma pessoa que tinha uma barraca de doce. Lembro daquele tempo quando houve a inauguração do tróleibus onde junto com meu irmão andamos nele das 6h da manhã até 11h da noite e a minha mãe ficou bastante preocupada.

Com o passar do tempo eu e a minha família fomos morar lá no João Ramalho, um bairro localizado em Santo André. Só que não ficamos lá por muito tempo porque meu pai arrumou confusão com os chefes dos ladrões de lá que nos ameaçaram e tivemos que ir embora. Então fomos para o bairro Taboão em Diadema e trabalhamos numa oficina de um parque diversões. Ficamos até quando eu tinha 13 anos e daí comecei a viajar para tudo quanto é lugar.

Quando eu tinha 16 anos me casei com meu primeiro marido, Fiquei muitos anos casada. Assim que fiquei grávida, meu pai veio a falecer, porém eu não sabia de nada. Foi quando eu decidi me separar e voltar a morar com a minha mãe no parque. Passando o tempo, minha mãe recebeu uma indenização pela morte do meu pai e compramos uma casa aqui no bairro Santa Cruz onde estou até hoje.

Aqui conheci o pai dos meus outros dois filhos e ficamos morando junto no Grajaú, um bairro localizado em São Paulo, durante quatro anos. Essa relação acabou também não dando certo, separamos e voltei a morar com a minha mãe. Tive também um terceiro marido que também não deu certo e me separei novamente. Agora não quero mais me casar. Quero terminar os meus estudos, fazer uma faculdade e dar uma vida melhor para os meus filhos. Esse é o meu objetivo.


 

Silvania

Meu nome é Silvania, tenho 16 anos e vou falar um pouco da minha infância. Eu morava em Alagoas quando minha mãe e meu pai vieram para São Paulo arrumar uma coisa melhor para todos nós. Mas não foi disso que aconteceu. Quando  chegamos em São Paulo, logo depois fomos morar em São Bernardo do Campo.

Infelizmente meus pais separaram e eu fui morar com a minha mãe em Cubatão. Meu irmão foi morar com meu pai logo depois. Eu nunca mais vi o meu irmão mais pequeno. Também faz bastante tempo que não vejo meu outro irmão, Luciano, porque infelizmente ele não quis morar com a gente em São Paulo para não deixar o meu avô sozinho.

O fato mais marcante foi quando minha avó morreu. Quando a minha mãe ficou sabendo que ela estava morrendo, rapidamente tratou de vender nosso aparelho de som para voltar para Alagoas. Mas infelizmente ela não chegou a tempo de ver a minha avó viva. Queria ter viajado com ela, mas não tinha condições para viajarmos nós duas.

Espero quando eu fique adulta as coisas melhorem para toda a minha família e que um dia eu possa contar todas as minhas histórias com muita alegria e junto de minha família.

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